| Uma
tribo de índios guaranis vivia do seu trabalho na lavoura:
derrubava um pedaço de mata, plantava mandioca e milho,
mas depois de quatro ou cinco anos a terra se cansava, parava
de produzir e a tribo precisava emigrar para outras paragens.
Cansado de tais andanças um velho índio um dia recusou-se
a seguir adiante e preferiu ficar sozinho na tapera. A mais jovem
de suas filhas, a bela Jary, ficou numa situação
difícil: ou seguia adiante com os jovens da tribo, ou ficava
na solidão, prestando arrimo ao ancião até
que a morte o levasse para a paz do Yvi-Marai. Apesar dos pedidos
dos moços ela permaneceu junto ao velho pai.
Essa atitude de amor mereceu uma recompensa. Um dia chegou um
pajé desconhecido e perguntou a Jary o que ela queria para
se sentir feliz. A moça nada pediu, mas o velho pai sim:
“- Dai-me renovadas forças para poder seguir adiante
e levar Jary ao encontro da tribo que lá se foi”.
Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno,
E a cuia, seio moreno
Que passa de mão em mão
Traduz no meu Chimarrão
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.
Glaucus Saraiva |
Entregou-lhe
o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e
ensinou que a plantasse, colhesse as folhas, secasse-as ao fogo,
triturasse, colocasse os pedacinhos num porongo (fruto também
conhecido como cabaça e com o qual, depois de seco, se
faz a cuia), acrescentasse água quente ou fria e bebesse
essa infusão: “-Terás nessa nova bebida uma
nova companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais
cruel solidão”. Deu a receita e partiu.
Foi assim que nasceu e cresceu uma planta chamada caá-mini.
Dela resultou a bebida caá-y, que os brancos mais tarde
chamaram de chimarrão.
Sorvendo aquela verde seiva o ancião recuperou-se, ganhou
força e pode empreender a longa viajem até o reencontro
com os seus. Ao chegarem, foram recebidos com a maior alegria
e a tribo toda adotou o costume de beber a infusão da erva
verde, amarguinha e gostosa, que dava força, coragem e
confortava mesmo nas horas tristonhas ou da mais total solidão.
Evolução Histórica
O uso desta planta como bebida tônica e estimulante já
era conhecido pelos indígenas de toda a América.
Em túmulos pré-colombianos de Ancon, perto de Lima,
no Peru, foram encontradas folhas de erva mate ao lado de alimentos
e objetos, demonstrando o seu uso pelos incas.
Desde os primórdios da ocupação castelhana
no Paraguai, indicado por Don Hernando Arios de Saavedra (governante
de 1592-1594), observou-se a utilização da erva
mate pelos indígenas.
Os primeiros jesuítas estabelecidos no Paraguai, fundaram
várias feitorias, nas quais o uso das folhas de erva mate
já era difundido entre os índios guaranis, habitantes
da região.
Posteriormente observou-se que os indígenas brasileiros,
que habitavam as margens do rio Paraná, também se
utilizavam dessa planta. Outras tribos localizadas em regiões
onde não havia ocorrência natural da essência,
possuíam o hábito de consumí-la, obtendo-a
através de permuta. Essas tribos localizadas no Peru, Chile
e Bolívia, transportavam o produto por milhares de quilômetros.
Orientados pelos jesuítas, instalados num território
chamado Companhia de Jesus do Paraguai (denominação
dada no século XVII aos territórios das províncias
do Paraguai, Buenos Aires e Tucuman), os indígenas iniciaram
as plantações de erva mate.
Junto com a implantação dos ervais, os jesuítas
aprofundaram-se no estudo do sistema vegetativo da planta, visto
que as sementes caídas das erveiras não germinavam
naturalmente. Os jesuítas definiram a melhor época
de colheita de sementes e um padrão de preparo e cultivo
da erva mate.
Por mais de 1 século e meio (de 1610 a 1768, quando se
deu a saída forçada da Companhia de Jesus), os jesuítas
exploraram o comércio e a exportação do mate.
O Padre Nicolós Durain observou que os índios tomavam
o mate em água quente, não podendo passar sem ele
no trabalho, pois era, muitas vezes, o único sustento.
As bandeiras paulistas, que de 1628 a 1632 percorreram as regiões
de Guairá, regressaram trazendo índios guaranis
prisioneiros, e com eles o hábito de beber chimarrão.
Churrasco,
Cerveja e Cinzas
Um churrasqueiro de renome foi convidado para “queimar
uma carne”. Como é de praxe, o anfitrião
molhou a garganta do cozinheiro com um “breja”,
bem gelada. Durante os preparativos do churrasco a cervejinha
foi consumida.
Nessa altura, o fogo também estava nas alturas e precisava
ser acalmado para que a carne pudesse ser colocada. Dito e
feito, a garrafa de cerveja, a única disponível,
virou a vasilha de água usada para controlar o fogo.
Essa é a origem de se jogar cerveja nas brasas... Estraga
a cerveja e em nada muda o sabor do churrasco...
O melhor mesmo é seguir os ensinamentos de quem conhece:
guarde as cinzas do churrasco, devidamente peneiradas. Use-as
para controlar o fogo, jogando um pouco sobre as labaredas
sempre que ocorrerem chamas. Você economiza carvão,
não faz fumaça, não diminui a temperatura
do fogo e o melhor, não enferruja a churrasqueira. |
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