Um Gaúcho no Planalto


Nosso entrevistado desta edição é um autêntico gaúcho, que vive e divulga a cultura da sua terra em Brasília, no Planalto Central. Tem muita experiência no assunto e realiza o seu trabalho sempre com muita satisfação e empenho. Por isso suas receitas são tão apreciadas. Vamos conhecer um pouco da sua história e experiência.

P - Faça, por favor, uma apresentação pessoal sua para os amigos leitores da Revista Manual do Churrasco.
R - Meu nome é Carlos Roberto Pinto Pereira, sou natural de Bagé/RS, e estou radicado em Brasília/DF há 25 anos, sendo que destes, mais de 15 fazendo churrasco como free lancer em toda a região do Distrito Federal.

P - O que fez você desenvolver o prazer pelo churrasco?
R - A paixão por fazer churrasco, acredito que já nasce com o gaúcho. E nem é tanto para comer, mas para ficar admirando uma bela costela ou uma picanha especial enquanto assa. A necessidade de complemento na renda familiar e os tantos pedidos surgidos me levaram a virar churrasqueiro, além de funcionário público federal. Unir o útil ao agradável foi apenas um passo. Isso depois de ter realizado mais de 500 churrascos a pedidos de amigos.

P - Que tempero que você utiliza em carnes bovinas? E em outras carnes?
R - Para carnes bovinas, apenas sal grosso. Para aves (todos têm seus segredos, que não revelam completamente) uso uma mistura de: alho, cebola, orégano, limão ou vinho branco, sal fino e tempero fondor. Tudo preparado com 12 horas de antecedência.

P - Você já fez cursos de cortes de carnes? Acha importante para o churrasqueiro esse conhecimento teórico?
R - Nunca fiz nenhum curso. Creio que o gaúcho aprende desde guri. Entretanto, aos poucos fui me aperfeiçoando. Acho muito importante o corte da carne, não só crua, mas principalmente depois de assada, porque já vi por aí muito churrasqueiro cortando a carne de maneira errada. Deve-se dar o corte contra a fibra da carne, nunca a favor. Isso ajuda a amaciar a carne.

P - Quais os acompanhamentos que você indica para um bom churrasco?
R - Arroz, feijão tropeiro, vinagrete e salada de folhas.

P - O churrasco caseiro está crescendo no Brasil. A que você atribui este fato?
R - Aqui em Brasília, pelo menos, cresceu muito nos últimos anos. Penso que é pela informalidade, por ser menos trabalhoso e pelo baixo custo, comparando com outros tipos de festas.

P - O churrasco caseiro deve ter também seus rituais?
R - Não só o caseiro, todo churrasco tem um ritual. Desde o momento de preparar o fogo, espetar a carne até a montagem do visual dos pratos para pôr na mesa.

P - O churrasco tem muitos segredos, cada churrasqueiro usa seu tempero especial e suas habilidades e artimanhas. Qual é a sua opinião sobre as novidades em matéria de receitas que surgiram nos últimos tempos em nossas churrasqueiras?
R - Existem por aí muitos inventores de tempero para carne vermelha, mas num autêntico churrasco gaúcho se usa apenas o sal grosso. A medida certa de sal é o segredo do bom churrasco.

P - Como você organiza um churrasco?
R - Na maioria das vezes sou contratado apenas para assar a carne comprada pelo cliente. Entretanto, outras vezes fica tudo por minha conta. Considero uma média de 250 gramas de carne vermelha por pessoa, fora a costela de boi, e mais 250 gramas de outros tipos (coração de frango, lingüiça de porco/frango, frango e lombinho/costela de porco, além da carne de sol, porque em Brasília existem muitos nordestinos). Não faço acompanhamentos.

P - Qual é a receita que faz mais sucesso nos churrascos que você organiza?
R - Como entrada é a receita do coração de frango. No entanto, entre a costela e a picanha, acho difícil escolher. Espero ter colaborado e respondido com clareza as suas perguntas. Continuo à disposição para qualquer outro tipo de esclarecimento. Sem mais um forte “quebra-costela”.


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